Seguidores

domingo, 23 de março de 2014

CHOVE



Chove
é dia cinzento
minha cadelinha lambe-me a face
e, sentindo o seu carinho,
ouço o Deus trino
me sussurrando no ouvido
“te amo,  assim como ela,
em todo o momento.”

Chove
e de meus olhos também chovem lágrimas
ao pensar a dor do mundo
a dor do infante abandonado
da mãe assassinada
do réu inocente
do filho carente
dos animais torturados
das crianças expulsas de seus lares pelas guerras
do sangue puro derramado
das árvores abatidas,
dos famintos, dos drogados,
dos excluídos, dos que não têm casa,
pela sede do poder
que seduz o homem,
sempre,  a qualquer preço, sorvida,
mas nunca saciada.

Chove
Tenta-me a vontade de não viver este dia
de apenas sofrer este dia
de apenas tecer palavras
pra buscar costurar minh’alma
da acre treva que nela se invade.

Chove, e ainda que haja sol por trás das nuvens
ignoro-o, deixo-me fruir, e intuir alentos,
em meio à chaga turva de tormentos,
das incessantes lutas, 
dos sussurros de lamentos.

Abandono-me no quarto fechado
acarinhando o dorso de minha cadelinha felpuda
fiel companheira, negreira,
e, em silêncio,
ficamos aqui, juntinhas,
ouvindo os pingos na janela
namorando e chorando a violência da vida dura
da tempestade que cai para justos e injustos
procurando um instante de paz
nós e Deus, sozinhas.


@Cristina Lebre – 23.03.14
Código em Recanto das Letras T4740930



2 comentários:

Diogo Aguiar disse...

Bem legal o texto parabéns!

Amissus Poems
Projeto Edgar Allan Poe

Grande Abraço!

Cristina Lebre disse...

Obrigada, Diogo, tem melhores, vem mais por aí, bjs, querido, sucesso pra vc!